No centro da Ilha de Cotijuba, existe um grande
lago, o qual tem uma fama cheia de mistérios, deixando-me bastante curioso e
com grande vontade de conhece-lo pessoalmente, pois pelo que falam, deve ser um
lugar fantástico, dizem que o local é morada de grandes variedades bichos
misteriosos entre eles cobras, jacarés, roedores e mamíferos em geral. Sua flora é
composta por arvores centenárias as quais devem ter sido testemunhas de muitos
fatos acontecidos em baixo de suas frondosas copas. Os animais são nativos da
ilha desde quando Cotijuba não era conhecida pela civilização.
Imagem da Internet
Alguns moradores antigos comentam que muitos
foram para aquelas paragens e não voltaram, geralmente caçadores, a também quem
diga que na época da ditadura usaram o local para sumir com os opositores do vil
regime, principalmente na época em que o Educandário da ilha se tornou um
presidio, tornando-a conhecida como “ilha do diabo”, outros dizem que muitos presos
perigosos foram mortos e jogado no lago com uma pedra amarrada no pescoço. Não se
sabe ao certo até onde isso é verdade ou apenas mais uma lenda do lugar.
A grande variedade de animais atrai os
caçadores que se aventuram a ir até aquele local inóspito e perigoso em busca
de uma boa caçada. Certa vez um senhor morador antigo da ilha contou-me que
resolveu ir caçar para as bandas de lá, mesmo porque poucos encaravam aventurar-se
devido terem medo motivado principalmente pelas lendas e mitos sobre o lugar. Ao chegar as proximidades do lago por volta
das 17 horas, escolheu um local próximo a um najazeiro que dá um fruto muito
apreciado pelos animais. Cortou um varão forte, e aproveitou a bifurcação dos
galhos de duas arvores e montou seu “mutam” amarrou o varão nas duas arvores e
atou sua rede onde passaria noite, faria um tipo de caçada conhecida aqui na
Amazônia como “caçada de espera”, muito usada na região o qual consiste em
ficar esperando a caça de hábitos de alimentação noturnas em cima do “mutam” em
noites bem escuras.
Por volta de 18 horas, subiu para sua rede e
ficou de tocaia esperando pacientemente o futuro animal a ser abatido. Antes de escurecer, verificou se a cartucheira
estava carregada, guardou os cartuchos sobressalentes no bolço da jaqueta. As
horas passavam lentas, por volta de 21 horas não tinha aparecido nada de caça.
A noite estava assustadoramente calma, fazia um silencio estranhamente
diferente, interrompido apenas por pios de corujas e instalar do tamaguaré.
Porém, nem em seu pior pesadelo imaginou passar
por momentos tão assustadores e perigosos o qual vivenciaria nos próximos minutos.
De repente ouviu um barulho estranho, a princípio ficou eufórico pensando que
sua sorte havia mudado, afinal toda aquela espera seria recompensada, percebeu
que algo se arrastando entre as folhagens da margem lago, o barulho foi aumentando,
agora além das folhas, os galhos das arvores também instalavam e quebravam, não
dava para ver nada devido a escuridão da noite, sentiu um frio na espinha, seu
coração começou a bater forte, pois percebeu que algo estava errado, o ar ficou
com um odor insuportável, um cheiro de pitiú de cobra tomou conta do ar, foi
quando viu dois grandes olhos na escuridão, ficou aterrorizado, nunca imaginou
que existiria na natureza tamanho animal, pensava que fosse apenas lenda, uma
grande cobra vinha em sua direção, foram segundo de terror sem saber o que
fazer, a bicha passou bem próximo ao local onde estava trepado, o tamanho era
de assustar o mais corajoso do homens, o corpo do monstro era grande por demais,
uns dois metros de largura, era cobra que não acabava mais, tendo um
comprimento aproximadamente uns trinta metros.
Foram os minutos mais assustadores da sua vida,
quem sabe esta seja a explicação para tanto sumiço de gente naquela área da ilha. Mais a vez a história amazônica mais
contada surge também na ilha de Cotijuba! “A história da cobra grande”.
By: Elcio Silva (18/02/2016).















